Hercy Souza
Poeta, contista e memorialista

 

Hercy Souza

 

Hercy Souza Santos nasceu e reside em Recife. É formada em 1975 pela Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), com especialidades em Reumatologia, Acupuntura e Homeopatia. Atualmente ensina as Disciplinas Eletivas de Dor Crônica, Homeopatia e Acupuntura no Departamento de Medicina Clinica do Hospital das Clinicas da UFPE.

Faz parte da UBE (União Brasileira de Escritores), onde participa semanalmente com contos.

Já publicou os seguintes livros:
 
1. Biografia do Dr. Laércio do Egito (homeopata e humanista).
2. Antologia das Águas.
 

Livros a serem publicados:

1. Por que o reumatismo dói? Direcionado ao público expondo como cuidar das doenças reumáticas e dores de forma geral.
2. Sociopata – obra ficcional
3. Cometa 2012 – obra ficcional
 

Características:

Ama e se dedica profundamente a profissão e ao ser humano; tem um profundo carinho pelos animais; busca em todo que vê e faz o Divino, sendo essa busca interior o que norteia a sua vida.

 

Cada vez melhor!
 

Algumas coisas são como os vinhos, precisam de tempo para apurar. As pessoas quando aceitam a maturidade, tornam-se sábias, podendo, entretanto, em certos instantes, brincar como crianças, dançar como adolescentes e viver com um conhecimento maior e crescente do seu ser.

A mesma coisa ocorre em certas instituições. Um exemplo é a União Brasileira de Escritores (seccional de Pernambuco). No próximo ano completa 50 anos, com uma vitoriosa história da sua trajetória. Nos anos cinqüenta foi criada por um grupo de escritores. Verdadeiros idealizadores reuniam-se aqui e ali, mas sempre tinham o prazer de encontrar seus pares para trocar idéias, ouvir os versos e os contos mais novos que os amigos tinham criado. Como uma confraria, unidos por ideal e por talento, irmanados pelas adversidades, destacaram-se na sociedade como um grupo de intelectuais com nobreza de caráter.

Ganharam um terreno, cheio de mato. Descobriram que debaixo do matagal havia a ruína de um casarão. Dentro daquela casa, onde um dia viveram e sonharam pessoas, agora só restavam partes de paredes. Os poetas arregaçaram as mangas da camisa, carregando tijolos e cimento e, com a inspiração própria de quem tem sensibilidade, construíram uma nova casa, com aspecto de ser antiga, mobiliando com decoração de época, em tudo combinando com o tempo onde famílias compartilharam o abrigo daquele teto.
Quando tudo perecia perfeito, inesperado tormento cai sobre os literatos. A ditadura militar proibiu reunião de pessoas que, potencialmente, pudessem fazer oposição ao regime. Na calada da noite, como marginais, entraram na casa e retiraram o que de mais precioso havia – os livros. Esconderam esse tesouro nas suas casas, e secretamente reuniam-se, ora aqui, ora ali, para não deixar rastros, e em surdina mostravam seus versos aos amigos, como se falar do brilho do luar fosse conspiração.

O tempo das armas passou. Felizes reabriram a “velha” casa com a emoção de quem volta ao lar. Os livros, arrumados com carinho, eram as testemunhas do amor daqueles poetas. Voltaram a fazer reunião, não de elite, mas colocaram uma faixa na frente da sede: - “Entrem escritores, esta casa é sua”. Nesta última década, ininterruptamente, realizam reuniões todas as quartas-feiras as dezesseis hora. Verdadeiros sarais, onde não se fala de guerra ou greves. As notícias são dos amigos pernambucanos que cada dia destacam-se na literatura brasileira. Alguns começaram ali a apresentar seus talentos literários, cantos ou contos, verdadeiras pérolas do saber. Reunindo adolescentes com octogenários, todos aplaudem o orador que nos brinda com a maestria das palavras, reunidas com o talento inato de quem nasceu para dizer as coisas de forma própria de quem tem o dom da palavra.

Em 2008 a U.B.E. completa cinqüenta anos, reunindo pessoas que se irmanam para falar de amor, formando um oásis na cidade onde crimes e violências são praticadas por falta de fraternidade; mas ali só as plantas e flores crescem para abrigar os pássaros que se aquietam, nas quartas as quatro, para ouvirem os novos versos. As cigarras fazem dupla com o cantor e os grilos só aparecem para avisar quando vai chover. As paredes da casa parecem sorrir: são testemunhas da alegria e felicidade daqueles que sabem que ali podem entrar – a casa está aberta para todos os escritores, ou para quem gosta de livros, contos e versos e tem alegria de compartilhar a vitória dos que, por talento, são denominados escritores.

 

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