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Lourdes Sarmento* Foi gaivota em vôos decisivos, cortando nuvens, tecendo nuvens, forte, ao mesmo tempo leve, teceu amizades, uniu pessoas com fios de prata presos à Vida. Defendia os espaços entre os livros e o pensamento construtivo. Nasceu para servir ao próximo e se fez sonho, construindo o território dos escritores, homens e mulheres, operários da Palavra. Assim era Gleyde Vitor: inteligência e determinação, atitudes que ampliou sempre na Biblioteca Pública Estadual de Pernambuco, uma busca de melhores condições de trabalho. Na luta contra a doença que a vitimou, o câncer, sua bravura foi indescritível. Como pássaro era Fênix, morreu e ressuscitou inúmeras vezes, contando com o apoio de Carlos José Vitor, seu marido e companheiro leal. Celebrava a Vida, também, ao lado dos filhos: Rodrigo, Carlos Eduardo e Gustavo Henrique, frutos de uma união feliz. Amiga dos irmãos, cunhados, cunhadas, sobrinhos, todos numa grande ciranda de fraternidade.
Fraternidade que se estendia nos
trabalhos profissionais, como companheira dos seus auxiliares e dos
companheiros rotarianos. Como diz Rilke: "O amor é uma ocasião sublime para o indivíduo amadurecer, tornar-se um mundo para si, por causa de um outro ser; é uma grande e ilimitada exigência que se faz, uma escolha e um chamado para longe." A sua experiência profissional de bibliotecária foi exercida em diversas instituições, mas na sua formação acadêmica incluiu-se mais uma graduação em Direito, na Universidade Católica de Pernambuco. Entre suas atividades científico-literárias destaca-se a publicação do "Manual do Sistema de Bibliotecas de Pernambuco." Escreveu um texto publicado no livro "Em Defesa do Livro Pernambucano- a importância da difusão regional", organizado por Jacques Ribemboim, dando enfoque à Lei do Depósito Legal, as principais ações culturais desenvolvidas na Biblioteca Publica do Estado e sobre o Sistema de Bibliotecas de Pernambuco. Mulher incansável e competente em defesa da disseminação da cultura e da informação, permaneceu à frente da Biblioteca Pública do Estado, durante 15 anos. Como administradora publicou e usou os seus conhecimentos adquiridos em estágios no exterior: em New York, Washington e Boston; Jamaica e Dinamarca. Gleyde Vitor essa mulher admirável que deixou nos vários lugares de atuação a marca do amor e da coragem, hoje nos olha de outra Dimensão. A Academia de Letras e Artes do Nordeste, enlutada com o encantamento de uma sócia honorária que muito realizou para os escritores, conseguindo espaço entre livros e leitores, registra o sentimento mais profundo de todos os seus membros, sob a presidência do acadêmico Alexandre Santos. Como mulher poeta, escritora e rotariana, coube-me a tarefa de saudar a sua passagem entre nós.
Que Deus na sua Infinita
Misericórdia cuide de todos da sua família, suavizando a saudade e
derramando a luz branca da Paz. (*)Lourdes Sarmento é membro da Academia de Letras e Artes do Nordeste |
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